top of page

Minha história com a amamentação

  • Foto do escritor: Jennifer Andrade
    Jennifer Andrade
  • 5 de ago. de 2020
  • 3 min de leitura


Amamentar não é tão simples quanto parece nas propagandas do Ministério da Saúde: uma linda mãe, de cabelo arrumado e um bebê sorridente e tranquilo ao peito.

Quando eu engravidei eu sabia que queria amamentar meu filho, mas já ouvia muitas frases do tipo: “compra logo mamadeira pra garantir!”. Eu sabia que seria um desafio, mas não tinha ideia do tamanho desse desafio.


Meu bebê nasceu e mamou no primeiro minuto de vida, a nossa golden hour.


Ainda na maternidade me disseram como eu deveria fazer, a primeira enfermeira ensinou de um jeito, a segunda disse que estava errado, era de outro jeito, eu então fazia como conseguia. Ele mamava, doía, e logo ele dormia, e logo acordava e mamava outra vez.


Em casa, eu fui ficando angustiada ao ver que aqueles absorventes de seio não eram úteis, pois meu seio não vazava. “Será que eu não tenho leite?”.


Na primeira consulta médica ele havia perdido peso (aquelas gramas normais de um recém-nascido perder, mas que me deixaram atordoada), a médica desatualizada tocou no meu seio e disse: “Mas você não tem leite!”, e pra provar a sua teoria ela me mandou comprar uma bomba manual de extrair leite e avaliar. Se em 15 minutos eu não conseguisse tirar mais de 10ml era pra iniciar a fórmula. Além disso, eu deveria cronometrar as mamadas em cada peito, pois ele não podia dormir logo.


Eu sai arrasada da consulta, me sentindo a pior mãe do mundo.


Compramos o tal extrator de leite e em 15min eu não consegui extrair nem 3ml, eu estava tão nervosa e chorando tanto, que mal conseguia usar o aparelho, derramava leite, sentia uma dor absurda ao manejar aquela "coisa".


Me diziam que eu tinha que obedecer a médica e dar fórmula, me mandavam tomar mingau, sopa, chá... mas eu insisti, procurei outras médicas e assim seguiu-se uma saga de 7 pediatras em menos de 06 meses, cheguei a ouvir que eu tinha que dar suco de laranja lima pro meu filho de 4 meses!


Me disseram que eu era orgulhosa por me manter firme na minha decisão e que eu estava procurando alguém que dissesse o que eu queria ouvir, porém, ninguém entendia que meu filho ganhava peso normalmente todos os meses, ele só não era um bebê gordinho, cheio de dobrinhas como outros bebês.


Com pouco mais de 1 mês levei meu filho na Santa Casa de Misericórdia, no Banco de Leite, e fomos super bem atendidos por uma enfermeira que parou o que estava fazendo para me olhar amamentar. Nenhuma pediatra havia feito isso! Ela me olhou, me ensinou, chamou o pai, o ensinou. Esperou trocar de seio e novamente observou, corrigiu… nos educou! Ele estava com a pega errada e eu não havia percebido!

Foi a informação que eu precisava pra conseguir sustentar os meses seguintes, mesmo com tanta gente me mandando dar fórmula e chá.


Eu chorei, sofri, duvidei que eu era capaz, pensei em desistir. Não tive fissuras, não tive problemas de ordem física, mas a questão emocional pesa muito para amamentar um bebê.


Eu consegui amamentar exclusivamente ao peito meu filho por 05 meses e 21 dias, quando iniciamos a introdução alimentar, e o meu êxito foi por mérito meu de ter persistido e resistido e do meu marido que mesmo com medo e sugerindo que comprássemos a fórmula "pra ter, caso necessitasse", me apoiou quando eu disse não e me deu crédito todas as vezes, fazendo de tudo pra tornar a amamentação possível e combatendo os comentários inconvenientes.


Hoje, quando escrevo esse texto, meu filho está com 01 ano e 05 meses e ainda mama no peito. Mas ainda ouço comentários relacionados ao desmame, ainda ouço que “estou apegada e ele não precisa mais disso”, ainda ouço que já cumpri meu papel e não preciso mais “ser orgulhosa”, ainda ouço que “fulano não mamou e tá vivo até hoje”.

Mas sigo persistindo, horas amando oferecer o peito e viver a amamentação, horas odiando e só querendo ser livre pra dormir a noite inteira. Amamentar não é simples, não pode ser um peso ou uma exigência, mas precisa ser incentivado e apoiado, não dá pra fazer isso sozinha!


Texto por Jennifer Andrade, Mãe do João Victor, Psicóloga, Mestre em Psicologia, Doula.

 
 
 

Comentários


Contato

Tel: (91) 99229-2257

​contato@psicologajenniferandrade.com

Belém, Pará, Brasil

  • Instagram
  • YouTube
  • Facebook

Nome *

Email *

Mensagem

Obrigada pelo seu contato!

© 2017 por Jennifer Andrade

bottom of page