Pandemia e Carga Mental
- Jennifer Andrade

- 13 de jul. de 2020
- 2 min de leitura

A pandemia trouxe à tona algo que poucos falam: a sobrecarga da mãe. O acúmulo de tarefas invisíveis, como os cuidados com a casa, família e filhos, além do trabalho remunerado, escancarou-se durante a quarentena.
Muitas mães repetem para si mesmas que precisam dar conta de tudo, com um falso ideal de que é possível dar conta impecavelmente de todos os papéis e ainda terminar o dia de cabelo arrumado e bem alimentada. O reflexo disso é o cansaço físico e mental absurdo, aquela sensação de não desligar nunca, que acaba exaurindo a mulher.
A quarentena começou, muitos ficaram em casa, as crianças ficaram também. E quem fica com o bebê? A resposta geralmente vem depressa: “É lógico que é a mãe.”
Mas porque isso deveria ser lógico? Porque os cuidados com o bebê são necessariamente vinculados à mãe?
Pensar, planejar, organizar, gerenciar, fazer…. um furacão de tarefas não reconhecidas e que tomam da mãe o dia inteiro e muitas vezes, não dão espaço pra ela. O dia acaba sendo misturado entre as tarefas da casa, os cuidados com os filhos, cuidar da relação e o trabalho remunerado. É como administrar uma empresa inteira, sem um único funcionário.
Muitas coisas estão ligadas à essa carga mental, e uma das coisas importantes para ajudar a diminuí-la é um período de reflexão por parte da mãe sobre: diminuir comparações, rever metas, impor limites, não imaginar que tudo ficará perfeito e DIVIDIR TAREFAS.
Entender que é impossível dar conta de tudo sozinha é essencial, pois, só assim a mãe consegue pedir ajuda.
A saída mais saudável é o diálogo, por mais difícil e desconfortável que ele seja, se comunicar é a única forma de mostrar a sobrecarga. Mesmo que pareça óbvio que as coisas precisam ser feitas, e que o fato de “precisar pedir” também traga cansaço, é preciso mostrar as pedras que você carrega, uma a uma, e com isso, dividi-las para que cada um possa carregar a sua. Impor limites é essencial para diminuir o peso nas costas e manter a saúde mental.
Outra coisa essencial para ajudar a lidar melhor com a sobrecarga é resgatar momentos de autocuidado. Mesmo que esses momentos sejam curtos, rápidos, mas eles são importantes para que você consiga se encontrar no seu dia. As coisas simples fazem uma enorme diferença no dia a dia, como um banho demorado, a leitura de um capítulo de um livro ou, simplesmente, se permitir chorar.
Mas é preciso ficar alerta, ao observar que o cansaço e o esgotamento levou a sintomas físicos e psicológicos, tais como: problemas no sono, falta ou excesso de apetite, sintomas depressivos, ansiedade generalizada, perda de interesse, dentre outros, é importante procurar ajuda profissional.
A pandemia mostrou o gigantesco trabalho invisível (que já existia), reforçou o quanto ele precisa aparecer, o quão essencial ele é, e o quanto ele não pode mais ficar nas mãos de uma única pessoa - a mãe -, precisa ser DIVIDIDO.



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